Rio de Janeiro recebe Encontro Latino-Americano de Midiativismo e Semana de Mídia Livre

O intenso debate sobre mídia e ativismo digital no Brasil está na pauta do dia. Os acontecimentos políticos e sociais de 2013 colocaram em evidência organizações e temáticas que já possuíam um largo histórico no país. A questão da liberdade de expressão, o fim do monópolio midiático e novas formas de produção de conteúdo jornalístico criaram frestas na invisibilidade imposta pela grande mídia e alcançaram as agendas nacionais. 

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E é a demanda pela descentralização do processo de comunicação e pela visibilidade de outros atores, pautas e visões de mundo nos meios de comunicação que potencializa encontros como os que acontecem no Rio de Janeiro a partir dessa sexta-feira (22). Consideradas atividades preliminares para o ano de 2014, já no esquenta para o período eleitoral e para os grandes eventos que o país recebe, tais encontros usam o caldo das mobilizações de 2013 para pensar e articular as ações que virão. Em termos de comunicação e política, 2014 ainda precisa ser inventado.

Uma das iniciativas nesse sentido é a Semana de Mídia Livre, que acontece no Rio de Janeiro entre os dias 26 e 30 novembro. O evento reúne três atividades na mesma semana: Copyfight, ESC e Encontro de Rádios Livres. Os  três trabalham questões relativas à pirataria, direito à cultura, comunicação livre e compartilhada , novos modelos de rádio digital no Brasil e otimização do espectro digital para a comunicação. Tudo isso acontece em meio a uma ocupação cultural no campus da Praia Vermelha da UFRJ e também na PUC – Rio.

Há ainda o Facção – Encontro Latino-Americano de Midiativismo que traz um debate sobre a democratização da comunicação em quatro eixos temáticos: Ativismo, Linguagens, Tecnologias e Políticas Públicas. O objetivo é avaliar o cenário atual, levando em conta os diversos movimentos que vêm ganhando destaque e influenciando as agendas nacionais.

Facção – Encontro Latino-Americano de Midiativismo

O evento, que se inicia nessa sexta (22), pretende debater, em grupos de trabalho específicos por tema, questões como a produção de conteúdo, plataformas, cultura digital, software livre, estética, foto, audiovisual, texto e questões políticas da comunicação. No sábado (23), a desconferência de abertura conta com uma vasta mesa de debatedores, entre coletivos, movimentos e universidades. O dia segue com uma programação voltada para o ativismo digital por meio de relatos, oficinas, trocas de experiência, rodas de conversas e debates.

No domingo, a atividade junta-se ao Ocupa Lapa, onde acontecerão debates de temas tranversais, transmitidos ao vivo pela PosTV e acompanhados através de cobertura colaborativa. A ocupação, também cultural, conta com shows e programação artística, exposições e rodas de conversa.

Para Felipe Peçanha, membro do Fora do Eixo e um dos organizadores do evento, o Rio vem representando uma resistência simbólica: há uma forte questão social girando em torno de movimentações pela educação, desmilitarização da PM, ocupações políticas na Câmara e no Leblon. “Essa soma de fatores traz pro Rio uma questão mais forte, social. Não faltam pautas na cidade. E isso é muito forte pro ano que vem, com a questão da Copa. Não podemos dar prioridade pros interesses privados em detrimento dos interesses públicos”, disse.

O Laboratório de Cultura Digital participa de duas atividades durante o Facção. No sábado (23), às 14 horas, o Lab relata as experiências já realizadas com o uso da Rede Livre em uma roda de conversas e intercâmbio de experiências que contará com a presença do Cine Fantasma, Radio  Indígena Yandê, Laboratório de Imagem e Cibercultura, Portal Alemão, Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ e Nuvem – Hacklab Rural de Arte e Tecnologia. Ainda no dia 23, às 15 horas, acontece o Ciclo de Cultura Digital com a oficina “Rede livre e a democratização do acesso às tecnologias de comunicação”.

Semana de Mídia Livre: ESC, Copyfight e Encontro de Rádios Livres

A semana começa com o II Espectro, Sociedade e Comunicação (ESC) que, entre os dias 26 e 28 de novembro, debate um novo formato de rádio digital, em especial o Digital Radio Mondiale (DRM), padrão aberto europeu, que se contrapõe ao HD Radio, modelo americano. O evento ocorre na PUC – Rio e contará com um debate sobre leis para a regulamentação da comunicação na América Latina, processo ainda em discussão no Brasil, mas já deliberado em outros países, como a Argentina.

No dia 27, o encontro é acompanhado pelo Copyfight. A abertura conta com uma mesa de debate com os coletivos Rio40caos e Antena Mutante (Colômbia) e deve discutir o tema “A criação do sujeito terrorista: Brasil, Colômbia e Palestina”. Na quinta (28) ocorre uma oficina de criptografia e anti-vigilância na Internet, buscando conscientizar sobre a necessidade de proteção de discos rígidos e do uso de softwares protegidos contra a espionagem.

Para Adriano Belisário, um dos organizadores, o ano que vem é um marco importante no sentido político, não apenas por conta da Copa, mas pro causa das eleições. “É necessário pensar a potência das ruas e a participação popular. Há a necessidade de analisar como isso será construído dentro dos movimentos e coletivos”, afirma. Segundo ele, é fundamental essa articulação entre os diversos movimentos, pois atualmente vive-se um momento de convergência.

Já o Encontro de Rádios Livres, que acontece desde 2002, constituiu-se em um evento fundamental para a troca de experiências entre as diversas rádios livres existentes no Brasil. A atividade pauta a diferença entre rádios piratas e rádios livres e a questão da democratização da rádio livre. De acordo com Conrad Rose, um dos organizadores do evento, o intuito é trazer uma nova concepção sobre o fazer rádio. “O ponto é romper com a questão tradicional do broadcast: quebrar a barreira entre o emissor e o receptor, implementando o conceito do multicast”, explica.

Para ele é fundamental essa união entre os três eventos que compõem a Semana de Mídia Livre: gerar debates sobre comunicação, software livre, proteção contra vigilância na internet, diferenciar mídia tradicional, alternativa e ativista. “Comunicação é um ponto fundamental e deve ser tratada como uma questão tática”, pontua.

Ainda durante a Semana de Mídia Livre vai acontecer uma ocupação cultural do campus Praia Vermelha da UFRJ, onde os eventos estão sediados. Acontecem oficinas, apresentações teatrais e debates em geral. A organização convida a todos para trazer sua arte,  música e participar dessa movimentação que acontece no prédio do DCE.

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